segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Você é Linda...


Você é linda...

Feito um dia ensolarado e sem nuvens.
Como uma melodia de Beethoven.
Como um plantio de lindos girrasóis.
Feito cascata de água cristalina.
Linda feito os colibris adejantes.
Linda como um poema de Neruda.
Igual a botão de rosa se abrindo.
Mais linda que uma garça no lago.
Tão linda quanto brilho de estrela.

Feito um cisne de asas escancaradas.
Feito uma vitória-régia amazônica.
Mais que o arco-íris depois da chuva.
Tão linda quanto uma orquestra de anjos.
Você é linda...
Tanto quanto uma colisão de cometas.
Mais linda que o teatro das fadas.
Feito um campo na primavera.
Feito o mar na calmaria.
Mais linda que o plenilúnio.
Mais bela que a própria vida.

Como um regaço paradisíaco.
Como uma manhã orvalhada.
Mais bonita que um bando de gaivotas.
Tão linda quanto linda é a praia.
Mais linda que um farol aceso.
Como uma andorinha em voo.
Feito um piscar de estrela.
Como um sorriso de infante.
Mais bela que a aurora.
Tão linda que me apaixono.

José Anchieta

Luzia




O teu lindo olhar luzia,
Insinuando um talvez...
E por medo ou timidez
A minha voz emudecia.

Os teus cabelos lisos
Dançavam ao vento.
Valsando junto o sentimento,
Crédulo dos teus risos.

...E o teu olhar sempre luzia.
Enfeitiçando-me sem dó.
Como uma áspide á cotovia!

O teu olhar, linda Luzia,
Transforma uma rocha em pó!
Misto de paz e de agonia!

José Anchieta

Meigo Colibri


Se meio descuidada, sorri...
Eu sei a estrada certa!!
O teu riso – É dádiva e oferta!!
Baila e adeja, ó meu colibri!

Deixe a porta entreaberta...
Que eu fico a olhar-te daqui!
Se meio descuidada, sorri...
Eu sei a estrada certa!!

O caminho para ser feliz!!
A fórmula mágica do amor!!
O mapa é o teu sorriso, Cris.

Eu te amo! Ò meigo colibri!
Embalsamas toda a minha dor
Quando, tu descuidada, sorri!

José Anchieta

Reencontro


Quando nos vermos novamente
Vou contemplar-te com longa e demorada ternura
Extasiar-me na serenidade do teu olhar de menina
Irei abraçar-te pressurosamente...
Esquecendo-me dos equívocos da exactidão dos minutos
Que pressupõem o tórrido beijo de amor.
Quando nos vermos novamente, meu bem
Eu já não terei nos olhos esta melancolia de agora
Acolhida nos refolho da alma inconstante.
Quando nos encontrarmos novamente
Irei sorrir-te feito uma criança boba
Desprezando a luz do sol e a claridade do dia
Para iluminar-me com o brilho da tua magia
Irei sorrir, libertando-me dos aguilhões da saudade.
Para prender-me no aconchego do teu caloroso abraço
E a vibração celestial da sua maravilhosa voz
Será a minha carta de alforra
É desta maneira subtil e delicadamente aguardada
Que eu imagino o nosso reencontro, querida.
E quando nos revermos, razão do meu viver!
O meu coração saltará de alegria vibrante.
Já não serás apenas uma fotografia na moldura
Sobre a poeira da estante.
Não escreverei o verso inédito, pois inédita é a
Nossa história de amor
Não recordarei telefonemas, nem transcreverei poemas.
Pois a silhueta do teu formoso corpo
E a estática do teu rosto lindo
Serão os aéreos memoriais do meu pensamento.

Para: Jaqueline
Com amoroso desejo.

Um Poema de Amor



 
Quis subtrair d'um jardim, bela flor
Perseguiu-me um cão petulante
E uma abelhinha irritante
Atraída pelo seu agradável odor

Quis cantar-lhe o mais lindo louvor
Mas não sei dedilhar um violão
Quis retratá-la na barra de sabão
Mas sou um péssimo escultor

Quis soprar-lhe ao ouvido - amo você!
Ao ouvir do vento, o rumor
Balançando os verdes ramos do ipê.

Quis dar-lhe rosas, não pude.
Trago apenas um poema de amor
E desejo-lhe paz e saúde.

José Anchieta


Pretérito-mais-que-Perfeito



Eu ainda te amo, apesar dos pesares
E dos beijos ressequidos... Frouxos...
Mesmo que os lírios se tornem roxos
Ou sequem-se as águas dos mares


Eu continuo a te amar com dolência
Sem me importar com quase nada!
(Se um dia fostes a meiga namorada
Que roubaste a minha inocência!)


E no clarão dos teus olhos luzentes
Minha alma refugiada descansa;
Aninha-se nos teus abraços quentes


Depois retorna apaziguada e tranqüila
E dormente feito uma boba criança
Canta e ri, e valsando ao vento sibila


José Anchieta

Poema Sacro



 
Ele morreu para dar-me a vida e o perdão
E carregou sobre Si minhas dores.
Uma coroa de espinhos... Ao invés de flores,
(Que eu quereria), para perfumar-lhe o chão

Da via-crúcis em que, Ele seguia...
Quantos erros simbolizados na cruz.
As afrontas da humanidade sem luz
-Quanta bondade! - Oh! Quanta agonia...

-Jesus Querido, sou muito Lhe Grato
Pelo Teu sangue vertido no lenho.
Mas mesmo assim, sei que sou ingrato

Por não servir-Te com grande engenho.
Na Tua presença descalço os sapatos,
Retiro a gravata. Sou frágil desenho!

José Anchieta